LivroLivre


23/10/2009


Resistência

Quanto tempo de mim  foi  dor para os que não mereciam?

Quantos jardins não fiz só para semear?

Quanta paz me fiz para não guerrear?

Quanto de fome saciei deixando de comer?

Agora, surpreendo-me com o que já  não me causo sem causa  e se relega ao esquecimento.

Mas quanto de mim sabe que os ideais nunca morrem, apenas dormem?

Escrito por Márcia às 18h26
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20/07/2009


Meu pai e a lua

Meu pai estudou até o quarto ano do grupo. Era chefe de trem da Sorocabana e um homem que ralou muito para sustentar e criar seus nove filhos, dos quais sou a última. Em 1969, eu tinha 10 anos. Neste mesmo ano, em 20 de julho, o homem chegava à lua, numa briga de foice dos Estados Unidos, capitalista, com a União Soviética, comunista. O fato, tido como uma grande conquista da humanidade foi transmitido para o mundo, mas meu velho disse uma coisa que na época me pareceu simplesmente fruto de sua ignorância: “Isso foi gravado em algum terreno baldio. É claro que o homem não chegou lá. É tudo para enganar trouxas”.

Eu, assim como os outros filhos que acompanharam esta declaração que seriam por ele repetidas centenas de vezes, já que este era o assunto do momento, ficávamos estarrecidos e  até envergonhados. Afinal, meu pai negava o que o mundo comemorava. Lembro que na época eu viajei com uma irmã e seu namorado para São Paulo. Na estação, a banca de revista denunciava a festa midiática que foi a chamada conquista. Fotos da lua e dos astronautas da Apolo 11 estampavam todas revistas, jornais, gibis etc. Eu mesma ganhei um gibi do Topo Gigio, aquele ratinho  de orelhas enormes que fez muito sucesso por aqui nos anos 60 e 70. Na história, o ratinho pira ao chegar à lua e descobrir que era feita de queijo. E ele deitou e rolou abocanhando pedaços do satélite.

Bem, a efeméride americana foi explorada ao extremo pelos EUA que assim deram um basta na questão vencendo os soviéticos nesta batalha. Apesar da guerra fria entre os dois países continuar por muitos anos pode-se considerar que este passo sideral foi marcante para a política mundial.

Acontece que com o passar os anos, meu respeito pelo meu velho pai, cresceu em muito. Ele se despediu da Terra em 1984. Não acompanhou o que eu estou presenciando já há uns 15 anos: o crescimento da chamada Teoria da Conspiração, aquela que também afirma que o homem na chegou à lua. Seus adeptos entendem que os EUA plantaram esta situação para dar um chega para lá nos comunistas e se firmarem tecnologicamente como uma força hegemônica e inatingível. A conduta da NASA, que diz ter apagado as fitas com as gravações da saga, só contribuíram e continuam contribuindo para que a teoria avance.

Depois de 1969, os americanos nunca voltaram mais para a lua e ainda amargou algumas derrotadas no programa  espacial como a explosão da Challenger em 1986. Com tudo isso só resta eu reverenciar meu digníssimo pai com estas palavras pedir-lhe desculpas por ter sentido vergonha de suas desconfianças sobre a conquista.

 

E só mais uma coisa: a morte do cantor Michael Jackson, que desenvolvia uma dança chamada moonwalk que imita os passos dos astronautas da Apolo 11 na lua, é mais um fato para a gente avaliar bem as conquistas de ponta americana. Não consigo entender o porquê da demora nos resultados da perícia que poderia por fim as especulações em torno da morte do cantor. Cadê os peritos da série CSI que desvendam crimes e mistérios sobre as mortes em minutos ou em apenas alguns dias? Será que tudo por lá ficção como um dia imaginou meu pai?

 

 

Escrito por Márcia às 12h36
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14/07/2009


Artigo publicado no Jornal da Manhã de Marília, em julho.

Médicos

De vez em quando somos surpreendidos com informações que valem à pena. Uma delas é recente e acontece bem aqui em Marília: a fiscalização do Ministério Público Federal (MPF), junto aos 148 médicos contratados pelo Estado, Município ou União, via SUS (Sistema Único de Saúde) e que flagrou 51 deles, burlando a lei, deixando de atender a população para trabalharem em suas clínicas particulares.

O triste é saber que este problema não nasceu ontem e nem acontece só em Marília. Esta atitude dos médicos acaba comprovando o que eu sempre afirmo para amigos: a educação primorosa não garante a formação de um caráter bom e de um profissional que tenha valores éticos.

Ao contrário do que muitos pensam, e isso vale para qualquer profissão, educação não é apenas o domínio das letras e das faculdades intelectuais funcionando amplamente. Educação é ter a noção do outro, da sociedade e não apenas de seu patrimônio e de sua conta bancária. E isso especialmente se o profissional estiver ligado de alguma forma ao dinheiro público. E estes 51 médicos são pagos com o dinheiro do povo que sequer tem como comprar boas refeições e remédios.

A complacência e a incompetência dos órgãos públicos que contrataram estes profissionais também devem que ser consideradas nestes crimes. Afinal, por que fazem vistas grossas com profissionais que não cumprem seus deveres? Ora, não estão satisfeitos com salários ou atividades, que sejam demitidos. Mas o corporativismo, o puxa-saquismo político, favoritismo  etc, acabam vencendo e quem paga por todos os errados e erros, mais uma vez é a população pobre e necessitada.

São poucos, pouquíssimos os servidores públicos (e políticos também), que realmente merecem estar onde estão, recebendo dinheiro público, dinheiro do povo.  E isso em todas as esferas e todos órgãos. Mas de uma coisa eu tenho certeza: é com a maior satisfação que sei que uma ínfima parte da minha contribuição aos impostos, é destinada a servidores competentes e dignos como o procurador Jefferson Dias.

As denúncias da população sobre o atendimento nas UBSs foram registradas durante o programa Mutirão da Cidadania, realizado em parceria com a ONG  Matra (Marília Transparente) e a Procuradoria da República. Quem bom saber que ainda podemos acreditar!

 

Márcia de Oliveira

jornalista

Escrito por Márcia às 14h00
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04/07/2009


OS VERDADEIROS AMIGOS SÃO AQUELES QUE NOS APOIAM NA HORA EM QUE MAIS PRECISAMOS COM O QUE PRECISAMOS: SOU FELIZ PORQUE TIVE ALGUNS; FUI DE ALGUNS E ME DECEPCIONEI COM OUTROS. SERÁ QUE TB DECEPCIONEI ALGUÉM???? PQ É TÃO FÁCIL SABER O QUE NOS FAZEM E TÃO DIFÍCIL SABER O QUE  FIZEMOS?

Escrito por Márcia às 12h57
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25/06/2009


Quando ainda trabalhava em jornal, nos anos 90, escrevi numa coluna minha chamada "Fio da Navalha", que tínhamos necessidade de criar a "Biblioteca Nacional dos Dossiês da Corrupção". Na época, não paravam de surgir os calhamaços de todos os rabicos dos politicos ladõres. Os coumentos eram levantados sobre tudo por dois exponentes raposas, sempre envolvidos em denuncias de corrupção e incrivelmente nunca presos..rsrs: Paulo Salim Maluf e Antonio CArlos Magalhães. Os dois, eu dizia, eram livre docentes na Universidade da Arte de Roubar Dinheiro Público.

Tempos depois li um jornalista dizer que suspeitava funcionar nos porões do Congresso, uma escola que ensinava a arte da corrupção.

Agora descubro que o jornal Diáio do Comércio lançou um site chamado Museu da Corrupção. Fico extremamente feliz. Há gente relacionando a falta de memória com a corrupção deslavada que vivemos neste país se líderes de consistencia semelhantes à pastéis de vento.

Eis o link: http://www.dcomercio.com.br/especiais/2009/museu/home.htm

Escrito por Márcia às 17h02
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Sarney e o Alzheimer social

 

Não sei se alguém se lembra, mas durante o falido Plano Cruzado do presidente por acaso, José Sarney, houve um movimento comandado pela chamada esquerda e as centrais sindicais: o “Fora Sarney”. Apoiado por tudo que representava de ruim no país Sarney não saiu e ainda se reelegeu inúmeras vezes a deputado federal, a senador e sei lá mais o que, tanto pelo Maranhão como pelo Amapá (como pode?).  A reboque sempre presente sua família representada especialmente pela  filha Roseana Sarney. E tudo com a complacência de todos partidos, políticos etc

Eu me recordo das centenas de escândalos que envolveram Sarney e sua família. Um deles foi a distribuição de concessões de rádios e tevês, em troca de cargos, votos e apoio. Outro foi a CPI da Corrupção, que investigou as ações do Ministério do Planejamento, distribuindo recursos para administradores de estados e municípios que apoiavam quem? Ora, Sarney! O então ministro do Planejamento, Aníbal Teixeira, deixou o cargo alegando sofrer pressão para favorecer empreiteiras. As pressões vinham de Jorge Murad, que na época trabalhava no Planalto e era ex-marido de quem? Ora, Roseana Sarney!  Houve outros escândalos e todos foram devidamente esquecidos tanto pela mídia e quanto pela ineficiente Justiça por de “falta de provas”.

É bom lembrar que Sarney não está só. Ah, acabei de ler que tem gente querendo reeditar o Fora Sarney. Tem até sites. Reeditem, mas vamos fazer o Fora Todos Corruptos?  Do contrário, Sarney volta e reedita o "Dia do Fico", acrescentando o adjetivo "eterno". Com isso, garantirá a ele, à sua família e à camarilha, salários perenes e pagos com o dinheiro público, com direito a mordomos e motoristas.  Só tirar Sarney é enxugar gelo.

Afinal, com um sistema educacional pobre, podre e carente poucos são levados a exercitar a memória.  Assim a história nunca muda e só se repete num incrível teatro sem fim. Sem memória capaz de transformar a história este povo beira o Alzheimer. Aqui paro  com Sarney para definir o que é esta terrível doença conforme o neurologista Paulo Bertolucci escreveu na internet: “Alzheimer é a forma mais comum de demência. As demências, popularmente conhecidas como "esclerose", são um grupo de doenças que afeta o cérebro, principalmente as áreas da memória e da linguagem, levando a um progressivo prejuízo dessas funções”. Aqui peço desculpas  aos familiares e aos pacientes desta terrível doença pela comparação. Mas é que é assim que vejo e sinto: um povo demente  é  vítima da má índole dos ladrões do dinheiro público, sejam de políticos ou de déspotas disfarçados de cidadãos. São aqueles que enriqueceram ou se enriquecem com ações semelhantes às praticadas por Sarney e seus secretíssimos atos em qualquer lugar público ou privado.

Mas se você quer lembrar-se de tudo que aconteceu na história corrupta da política desse país vá a Internet e acesse o site do “Museu da Corrupção”, elaborado pelo Diário do Comércio. Aliás, eu o  indico como leitura diária para combatermos esta letargia que nos leva a pensar que política é sinônimo de roubalheira e nos faz perder a indignação e beirarmos o Alzheimer social.

 

 

Escrito por Márcia às 15h12
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23/06/2009


A Tendência à Podridão

O cara se candidata porque quer. Não há concurso para ver quem será candidato. Esse mesmo cara gasta uma fortuna para ser eleito. Compra voto, paga churrasco, cervejada, cesta básica, oferece empregos. Se não eleito, chora e ameaça pedir recontagem de votos por ser sido vítima de fraudes, traições, armação política etc. Se eleito, ufa, “não perdi minha grana investida e agora vou ganhar (leia-se roubar) muito”. Se ele for primário na política, sofre um pouco nos primeiros meses para se adequar à malandragem. Depois de seu batizado, compõem com Deus e o diabo. Empregam familiares nos serviços públicos (agora há uma lei muito mal aplicada combatendo o nepotismo), muda de casa, alguns de mulher, amplia seus negócios pessoais, melhora o figurino com ternos, sapatos, perfumes caros. Têm assessores para ficarem batendo papo na Internet. Alguns realmente trabalham e  atendem a população que pede remédios, alimentos, pagamento de conta de água, luz, telha para puxadinhos, sacos de cimento para aumentar um cômodo no barraco, mais churrasco, mais cervejas ... e assim vai.

Esquecem-se, ou melhor, nem sabiam, para que estavam sendo eleitos. Aliás, poucos sabem o que é política. Confundem politicalha com política. Fazem a farra do favoritismo  e fazem da tripa o coração para nunca mais largarem  o osso de viver perto do dinheiro fácil que é o público. Quando pegos em pleno exercício da corrupção,  choram , negam e afirmam que trabalham pelo povo e o país. Que trabalho senhores? Roubar dinheiro público é trabalho? E isso acontece nas esferas municipais, estaduais e federal. Os roubos apenas mudam de dimensão conforme os órgãos.

Enquanto isso manchetes paralelas dão conta que uma senhora de mais de cem anos morreu na fila aguardando o atendimento médico que não veio, mãe drogada mata filho, trabalho escravo adulto e infantil cresce no Brasil,  carteiro é assinado quando saia do banco com a avó, policiais deixam postos para participarem de churrascos, professores fazem greve por melhores salários, cresce violência nas escolas ,hospital agoniza em goteiras  etc etc etc

Que político honesto e de fato político, não morreria de vergonha ao ler os jornais jorrando problemas sociais e miseráveis no país que dizem representar? Mas eles não. Como psicóticos, eles nada sentem e continuando a desenvolver o pior lado da política asquerosa que é do toma lá da cá  em beneficio próprio.  A sociedade é que se lixe.

E o que mais me deixa indignada é saber que existem políticos sérios e honestos sim. Mas que se silenciam, diante de toda corrupção. E desta forma, a mim, tornam-se conivente com toda a sujeira difícil de limpar neste país sem Justiça. O poder apenas não  cega, mas apodrece ainda mais quem já tinha a tendência à podridão.

 

Escrito por Márcia às 12h49
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10/06/2009


Só viu que não estava só quando percebeu que a solidão é gêmea da liberdade.

Só se viu na Liberdade quando percebeu que ser livre é ter responsabilidade.

Logo, a solidão só existe hipoteticamente para quem nega a liberdade e a responsabilidade.

 

 

 

Escrito por Márcia às 14h26
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09/06/2009


A URNA DO TEMPO 

Envelhecer até morrer é o único caminho do homem, caso acidentes e doenças não o levem à revelia pelo caminho da horizontalidade ou poeira. Mas a maioria nega este prognóstico e tenta viver como eternos zumbis. Estica-se daqui, retoca-se ali,malha-se cá, turnina-se acolá,  viagra-se ali  e aqui estão todos buscando viver sem envelhecer. Que ignorância!

 

Deve ser por isso que os primeiros velhos que vi na infância da minha hoje média vida, me causaram espanto. Eu não tinha noção de que as pessoas viviam em consonância com o tempo. Cabelos brancos, rugas, lordoses acentuadas, bengalas, lentidão, dedos grossos, eram componentes de um cenário imaginário que nunca iria atingir gente próxima. A mim então, nem pensar. Eram como os fantasmas e as bruxas dos livrinhos que minhas irmãs me liam.

 

Eu acreditava que os velhos nasciam velhos. Eram personagens criados. Eu nem ousava questionar isso com alguém porque o que eu mais ouvia na época era: respeite os mais velhos.

 

 Há 50 anos, envelhecer de ficar branco e caquético não era tão fácil assim. Daí que quando me deparava com um deles me dava uma sensação estranha que hoje chamo de melancolia. Não conseguia estabelecer como que eles construíram até ali seus milhares de dias, já que um único dia meu era delicioso, mas difícil de preencher.  Excluindo o tempo destinado à escola, era acordar, tomar café, ir para a rua, almoçar, voltar para a rua, organizar as brincadeiras, brigar de boa,  tomar lanche, voltar para a rua, tomar banho, jantar, voltar para a rua, até ouvir a mãe chamando o nome da gente. Daí era obrigatoriamente lavar os pés e dormir sem nunca imaginar que aquele seria mais um dia a ser depositado na urna do tempo.

 

E foi esta mesma urna do tempo que me levou à consciência de que o tempo é  Deus: rege os caminhos, mas a escolha dos calçados para caminharmos sobre eles é nossa. É o livre arbítrio. Por isso, depois de alguns calçados radicais gastos, decidi envelhecer me surpreendendo com o que ainda tenho para fazer. Já não há mais ruas para brincar, mas há bares para cantar, beber moderadamente (?),  poucos amigos a confiar e papear; há tudo para pintar, esculturas a esculpir, mentiras para ainda se indignar; planos de saúde caros a pagar, família a  visitar, raras pessoas a quem de fato amar. Há dores a serem sentidas e amenizadas e muitas mancadas a serem dadas.  Há livros a serem lidos e sorvidos, bons pratos a serem apreciados, perfumes a serem sentidos, letras a serem registradas, risadas a serem dadas. 

Há dias lindos e feios a serem respeitados e reverenciados, porque, uma vez preenchidos, são dragados pelo além, sem que notemos o quanto vivemos e envelhecemos. São dias compulsoriamente depositados na urna do tempo... até que a gravidade nos vença e nos deite.

 

Márcia de Oliveira

jornalista

 

Escrito por Márcia às 14h12
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26/05/2009


Alerta!!!!!!!

Este artigo foi publicado na edição de 24 de maio de 2009, no Jornal da Manhã de Marília

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Placa de trânsito x cabeças humanas

 Quando minha amiga ligou contando o que havia acontecido custei a acreditar. Segundo ela, seu marido caminhava com o filho de dois anos e meio no colo na rua Paraná esquina com a avenida Nelson Spielman, quando uma mulher gritou: “Olha a placa”. Rapidamente seu marido desviou e só teve tempo de ver uma placa de “Pare”, raspar no pezinho do filho e despencar sobre sua perna esquerda, o que acabou lhe valendo três dias de licença do emprego até passar a dor, o hematoma e as mancadas. Isso aconteceu na semana passada.

O acidente foi considerado levíssimo perto do que poderia ter acontecido, já que a chapa extremamente pesada passou a centímetros da cabeça da criança e também muito próxima da cabeça do pai. Os dois se safaram de um acidente gravíssimo que poderia ter culminado na morte de alguém. Esta placa poderia ter caído sobre um carro, um motoqueiro, ou qualquer pessoa que estivesse passando ali naquele momento, como funcionários ou diretores da própria Emdurb.

A situação esdrúxula e extremamente perigosa acabou de forma leve para a Emdurb ( Empresa de Desenvolvimento Urbano) de Marília, que foi acionada, passou pelo local, pediu desculpa ao acidentado e recolocou a placa no lugar. A vítima descartou o registrou de BO (Boletim de Ocorrência), evitando que a Emdurb viesse a ser obrigada a pagar judicialmente os danos causados e evitar que fatos como estes venham a acontecer. “Foi só um acidente”, disse o bom  amigo.

O  fato me chamou a atenção e  passei a reparar nas placas por onde passo. E identifiquei duas, no centro da cidade, completamente soltas. Uma  com a base de concreto toda partida e uma outra, pasmem, completamente caída na calçada. Esta última eu fotografei e pude observar como o serviço de instalação é precário, já que a haste de concreto sequer é fincada  na terra. Obviamente que sem suporte adequado, o que deveria ser para auxiliar acaba se transformando numa arma que pode matar.

É necessário que a Emdurb  reveja o que está acontecendo com as instalações e passe a fazer a tal manutenção destes instrumentos. Afinal, pagamos para isso e não para vivermos emoções radicais observando placas despencarem sobre nossas cabeças. Já basta a imensa falta de educação  que enfrentamos no trânsito, tanto junto aos motoristas que raramente dão setas ou respeitam faixas de segurança, como para desviarmos dos pedestres cuja maioria sequer sabe atravessar adequadamente as ruas.

 

Márcia de Oliveira

jornalista

 

Escrito por Márcia às 11h45
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REJUVENESCER REGULAMENTOS É PRECISO VIU NATURA

 

Natura promove concurso de maquiadores. Ótima iniciativa. Diz o regulamento: para participar, limite de idade 35 anos.

Nada mais extemporâneo que limitar idade. Susan Boyle está aí, os idosos se maquiam e criam e a Natura limitando os tempos num tempo em que os idosos loguinho chegarão à maioria da população brasileira.

Escrito por Márcia às 11h00
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24/04/2009


Gooollll!!! De Barbosa!

Comemorei como um gol do Corinthians o choque entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. O que muitos chamam de bate boca, considero vital para a busca de melhorias definitivas para o sofrido e enganado povo brasileiro, acostumado a ouvir frases desferidas até por “membros” da chamada esfera judicial: “Para eles a lei, para nós os benefícios da lei”.

E  entre estes benefícios, que tem raízes de mais de 500 anos, que costumeiramente também ouço o próprio povo dizer: “Este país não tem Justiça” ou “As leis desse país são para pobre, puta e preto”. Por isso, vejo com absoluta alegria as palavras verdadeiras e agressivas trocadas por Mendes e Barbosa.

O que o ministro Barbosa fez, foi apenas tirar o tênue véu da face “cega” da Justiça, escancarando verdades camufladas por atitudes autoritárias de quem tem a caneta na mão para julgar  a seu bel prazer. Não é de hoje que as peripécias de Gilmar Mendes vêm sendo comentadas, especialmente pelo jurista Dalmo Dallari, desafeto público de Mendes. Em 2002, Dallari publicou um artigo na Folha de São Paulo, onde afirmou: “Indicação de Gilmar Mendes ao STF ameaça o combate à corrupção”.

Se isto se configura não sei, mas que Mendes tem tomado atitudes estranhas no STF tem como, por exemplo, tentar “disciplinar” o uso das famigeradas algemas logo após a prisão do banqueiro Daniel Dantas. Até parece que os punhos dos homens ricos são diferentes dos pobres! Também recentemente Mendes formou um verdadeiro barraco sobre a questão do uso das escutas telefônicas. E isso logo após informações não confirmadas que o TSF tinha sido objeto de escutas. Estas leves atitudes de Mendes parecem girar em causa própria. Mas há outras que vão além, tipo demarcação de terras indígenas, ingerências nas investigações das contas de Paulo Maluf e muitas outras.

Para quem quiser saber mais sobre Gilmar Mendes basta ir ao Google e pesquisar. Barbosa está certo. O presidente do STF está na mídia há muitos anos. E em quase todos os artigos e citações, aparece sendo criticado pelo seu modo exemplar, muito bem lembrado por Barbosa de exercitar a Justiça com o famoso “jeitinho”.

E lá vai Barbosa, dribla Mendes que tenta se defender em vão... e gggooolllll!!!!!!!!! De Barbosa!!!!!!!!!!!!! O homem que deixa seu gol registrado na história da Justiça Brasileira, dando início a um debate necessário a este país tão carente de ética.

 

Escrito por Márcia às 21h31
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08/04/2009


A Vida e as Mensagens

Pois é...eu não repasso e-mails assinados por celebridades. Eu sempre duvido da origem. No mundo real há mundo enganadores, estelionatários e roubadores de idéias. Agora vc imagina isso no mundo virtual. O que tem de gente que produz textos e assinam como Charles Claplin,Fernando Veríssimo, Mário Quintana, Fernando Pessoa etc. Pelo estilo da literatura, se vc  realmente ler, sabe que não é dos caras. Mas tudo bem. Alguns até passam. E este aqui tb passa. Se não for do Herbert Vianna esta mensagem que segue abaixo, eu aprovo mesmo assim.
E até acrescento algo: vcs reparam como vem crescendo os casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral), em jovens? Pois eu acho que o que estamos comendo deve estar nos matando. Desde os produtos transgênicos e outros conservantes e especialmente produtos diets e ligths que prometem manter os corpos magros e tal.

Há anos, a revista Caros Amgios trouxe uma matéria de um cientista americano que havia sido demitido do Instituto que pesquisava sobre os alimentos transgênicos. Ele não concordou com os laudos que aprovaram o uso da nova tecnologia e saiu denunciando o lobismo e que havia por trás dos interesses da multinacionais envolvidas no processo. Ele argumentava que os estudos não eram suficentes para que o uso das fórmulas das sementes transgênicas fosse regulamentado e que isso poderia causar sérios problemas à saúde do homem. Eu não tenho como afirmar, mas que tudo está estranho está.Os cânceres tb  não param de crescer. Ah sim pode ser genético, hereditário, que tenha aumentado a consciencitização sobre a prevenção e com isso o consequente incremento nos diagnósticos  etc...mas como seria bom termos uma Acadêmia de Saúde séria para averiguar tudo isso. Mas, estamos na Terra...onde tudo é dinheiro e a vida humana é nada.
Márcia de Oliveira
 
Eis a mensagem que recebi como sendo do Herbet Viana:


 
 

Não há o que temer:

 'Mulheres  com  juízo  sempre encontraram  homens com talento'

Herbert Vianna  


'Cirurgia de lipoaspiração?' 

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém,
nem falar do que não sei, nem procurar culpados,
nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo
que toda essa busca insana pela estética ideal
é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão
.

O mundo pirou, enlouqueceu. 
Hoje, Deus é a auto imagem.

Religião, é dieta. Fé, só na estética.

Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta,

pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.

Roubar pode, envelhecer, não. 
Estria é caso de polícia.

Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.

A gostosona da TV tem muito mais consideração do que a que está ao seu lado? A mulher mais bonita do mundo é aquela que você escolheu e que te ama.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,

não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.

Imagem, estética, medidas, beleza.
Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria,

o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada..
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,

quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal

 mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas
,

 de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.

Não é; não pode serQue as pessoas discutam o assunto..

Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme...

 Que o amor sobreviva. Pois esse sim, ninguém poderá mudá-lo; o amor será sempre naturalmente belo e verdadeiro..

'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
  

Herbert Vianna (Cantor e Compositor)

                

Escrito por Márcia às 17h03
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30/01/2009


Cores e Cabelos na UOL

Acabei de descobrir um dado interessante nos serviços de blog da UOL. Eu pouco mexo nas configurações deste blog e com tempo sobrando, aproveitei hoje e vim dar uma olhada. Tem vários ítens. Resolvi ativar o PERFIL, mas no ítem percebi que não me enquadrava em nada. As ocres de cabelo disponíveis são: preto, loiro, castanho e ruivo.  Os meus estão grisalhos e eu não vejo a hora de ficarem totalmente brancos!!!!

Oh, UOL, vê se conserta esta gafe. Afinal, muitas mulherres estão deixando de ser escravas no mundo da estética imbecil. Aquela que, por exemplo, faz vc gastar de quinze em quinze dias, para pintar cabelos brancos. É enxugar gelo, mas dá dinheiro à indústria dos cosméticos e aos salões de cabeleireiros. Eu prefiro investir na comodidade, ir ao salão para mantê-los curtos, usar xampus adequados para cabelos grisalhos e viver sem medo de ser punida por estar fora dos padrões impostos. E dá-lhe livre arbitrio!

 

 

Escrito por Márcia às 13h19
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09/01/2009


De Volta ao Começo

 

 

Depois da tosse comprida, do sarampo, da catapora, dos gessos, dos joelhos esfolados, dedões do pé topados e ralados no chão; depois das vacinas, das pipocas, das pipas, da primeira aquarela, dos doces de leite, dos pés-de-moleque e das missas de domingo;  depois da primeira cartilha e das primeiras letras; depois das matinês e depois da primeira menstruação, o mundo começou a ficar sério, descolorizando a vida sem que a gente percebesse.

Seios crescidos, corpos mudado e lá estamos nós, adolescentes felizes para o mundo externo feito de  namoricos, brincadeiras de garagem, piscinas e bailes no clube e muita maquiagem e completamente complicadas para o mundo interior. No externo, nos divertíamos, contestávamos nossos pais, enfim, sentíamos donos de nossos narizes, sem se sequer saber direito onde o próprio ficava. No mundo interno, eu pelo menos, sofri muito com as incoerências que comecei a me deparar no mundo repleto de discursos e práticas incompatíveis. Eu queria e sofria pela falta de explicação concreta para isso.

Para abafar meus questionamentos quase sempre depressivos, eu lia, lia, lia e desenhava, desenhava, desenhava e pintava, pintava, pintava. Mas tudo apenas como desabafo e para mim, só para mim. Havia um medo terrível de mostrá-los e todos descobrirem quem eu era na verdade, e especialmente, que achassem tudo feio. 

Porém, eu lançava mão das personas (máscaras utilizadas nos teatros da Grécia Antiga), sem que eu me desse conta. As minhas máscaras eram feitas com a ajuda de sombras, rimel, batons, blush que me deixavam aparentemente alegre. E estas, todos que passavam por mim tinham que ver. E assim foi até que de repente, já estava na universidade, ganhando consciência crítica e nefasta e falsa sensação de que compreendia o mundo.

Por isso, quando vejo pessoas na faixa dos 20 aos 28, rio silenciosamente. Suas posturas tão cheias de certezas e verdades, beiram a ingenuidade. E eu logo me lembro do dramaturgo Nelson Rodrigues que disse: "Jovens envelheçam logo, antes que seja tarde". É a mais pura verdade, porque quando cheguei aos 30, tive um susto ao notar que meu horizonte ganhava outra cor, com transparência e nitidez. A impressão que tive é que a poeira havia baixado.

Mas ainda assim continuei achando que haviam respostas para as incoerências. E foi quando ao chegar aos 40 anos, vi que eu não precisava de resposta nenhuma porque elas existiam e pronto. O problema, era e sempre foi de quem nunca as buscou por completa ignorância. Passei a questionar então que há uma equação a ser construída ao longo da vida. Se fugirmos  dela, optamos pelo auto-engano e este sim é destruidor porque nos leva a sermos falsos com a gente mesmo. Nada há de pior que isso.

Mas o assunto é crescimento e não destruição.Também aos 40 anos, diagnostiquei que além da poeira baixar, adquiri posturas estéticas seguras, como por exemplo, parar de pintar os cabelos.Poxa, logo eu que  gostava tanto das cores, especialmente vê-los vermelho, resolvi abandoná-las.

Mas foi legal, porque voltei à maquiagem, mas sem a deprê. Realmente ando fazendo uma festa com minha cara e rindo dela também. Comprei várias sombras de cores diferentes e tenho me divertido com isso. E dias desses, me recordei que quando saia da adolescência, aos 19 anos, eu me submeti a mais uma cirurgia femural (nasci com um fêmur deslocado), e acabei tendo complicações que me deixaram um ano acamada. E um dos meus passatempos era pintar a cara e tirar, pintar e tirar, tirar e pintar.

Agora, beirando aos 50 entendo plenamente essa coisa de pintar me acompanhou sempre. Desconfio que minha  tentativa de artista,  foi completamente sufocada pela necessidade de trabalhar. E trabalhei anos nas redações dos jornais da vida, sem tempo para criar.

Hoje sei que se tivesse tido oportunidade, olharia mais para a criança que fui, respeitando mais a adolescente rebelde e deprê que fui, combateria a impáfia  da jovem cheia de razão e verdade que fui. Teria me permitido a criar mais, sem medo e vergonha, como hoje, felizmente faço.

Basta a mínima vontade e lá estou eu recorrendo as minhas tintas e pincéis, porque como lhes disse, aos 40 eu deduzi que temos que enfrentar uma equação na vida: educação, informação, conhecimento e sabedoria. Ah,elas são interdepententes e não existem sem a ordem. Elas se impõem à nos.  E apesar de pouquíssimo conseguirem chegar sábios à velhice, a mim isso não  importa... O  mais importante disso tudo é que magicamente meu  mundo está deixando de ser descolorido, readquirindo os matizes alegres da infância, neste meu coloridíssimo início de Terceira Idade! Só que agora serão outras doenças, outros remédios....

Escrito por Márcia às 16h32
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