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Thiller e crack
Há dois anos, eu que adoro caminhar porque sei que este ato me é muito caro e um dia poderá me deixar, suspendi o hábito de voltar para casa caminhando depois das 22 horas. Era comum eu visitar amigos vizinhos e retornar alegre e saltitante. No caminho, havia alguns estabelecimentos abertos, o que certamente me garantia a segurança. Mas parei com tudo isso depois de levar um susto de um cara que me abordou pedindo dinheiro e me seguiu. Atrás dele, vinha um grupo. Olhei e vi um quadro muito semelhante ao vídeoclipe Triller de Michel Jackson. Pareciam fantasmas esquálidos assustadores. Disfarcei, mudei meu rumo e entrei numa padaria. Há dias, a sensação do medo, vem acontecendo além da noite. Não sei vocês, mas tenho sido abordada por jovens adultos desgranhados como os daquela noite, em diferentes lugares. Na loja, trocando meus óculos, na saída um me abordou. Ignorei. Dez metros e outro sentado, estendia a mão para vinte centavos negados e respondido com um sonoro: “Caralho”. Em outra loja, onde via brincos, outro entra no espaço e pede dinheiro à proprietária e a mim. Um nãoe ele vai decrescendo os valores de seu pedido: “Dois reais, um real, 50 centavos...20...uma moedinha”. Sai esbravejando. No caminho de volta, vi mais três parados, postados na calçada. À noite do mesmo dia, saio de carro com uma amiga. Depois de uma pizza, um bom papo, voltamos cedo para casa. Ainda não era 22 horas e quatro deles nos abordam nos semáforos. Fechamos as janelas e passamos a rezar para pegar sinais abertos. Concluímos que não se pode mais voltar para casa de carro por aquele trajeto. Em casa, a tristeza me domina. Estamos nos acuando para nos proteger do mundo mundano do crack. Não há políticas de prevenção, não há políticas de saúde mental, não há segurança. Há uma tremendo teatro rolando em todas as instâncias da sociedade. O combate ao tráfico de drogas é só uma falácia, já que droga é sinômino de dinheiro fácil e infelizmente dinheiro fácil é amado por muita gente sem bom senso. De políticos a pais que sequer conversam com seus filhos por trabalhar demais atrás do dinheiro. Há anos, vi uma discussão comanda pelo Conselho Regional dos Psicólogos (CRP), alertando os governos sobre o crescimento do crack em todas as classes e não só na pobre a sempre ignorada por todos. Eles pediam a ampliação de aparelhos como ambulatórios e clínicas nos municípios para atender a demanda ainda silenciosa e em crescimento. O alerta foi ignorado e agora, os crackeiros estão aí nos acuando sem que a gente saiba em qual momento ele poderá entrar na fissura e matar por matar. O que me dói é saber que o crack surgiu para garantir o consumo junto aos miseráveis que não tinham dinheiro para comprar cocaína. Sua sensação propalada foi conquistando também os cocaineiros com dinheiro e outros que queriam algo mais forte. Altamente viciante e completamente devastador ao organismo o crack promove a degradação completa. Dá dó, mas sobretudo dá medo porque parece que a sociedade nunca vai discutir a questão da droga como um problema nosso e sim do outro. Todos somos culpados por este quadro que só tende a piorar sem nenhuma ação preventiva que estaria muito longe destas culturas de massa que desenvolvemos. As drogas precisam ser encaradas com seriedade, ações curativas, preventivas e educativas voltadas integralmente ao humanismo. Talvez nem proibidas tivessem que ser, com as verbas empregadas no combate ineficaz destinadas em programas efetivos e não neste mundo de faz de conta. Mas como se ainda perdemos tempo discutindo neste país ações de políticos que, entre outros delitos, roubam comida de crianças? Como se convivemos entre casais que continuam a ter filhos sem nenhuma responsabilidade e todos achando que tudo é assim porque Deus quer? Como se para uma maioria o que vale é ter o melhor celular, o melhor notebook, o melhor carro, o melhor cargo e o pior caráter? É somos responsáveis pelo thriller que deverá ficar muito, muito pior.
Escrito por Márcia às 15h07
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Escrito em 7 de abril
Há uma bomba latente dentro de cada gente. Gente que nasce bicho, mama ódio, come loucura, Vira monstro transparente. Só é visto quando mata inocente Tira lágrimas de gente que sente. ...Mata por matar e morre de repente. Fica a dor silenciosa do porque, somente.
Escrito por Márcia às 21h29
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Coincidências e Destinos
Tem uma coisa que me intriga nesta vida: é a tal da coincidência, a prima-irmã do tempo, aquele que determina a coincidência. Uma coisa só é considerada coincidente se acontecer com outra ao mesmo tempo. São atos, ações, objetivos, valores, etc que acontecem simultaneamente. E isso realmente me encanta e muitos preferem rechaçá-las e chamar-lhes de destino.As coincidências passam a ser destino porque deixam o cérebro humano aturdido, com aquela sensação de “como-é-que-isso-pode-acontecer?”. Muitos atribuem as coincidências ao sobrenatural, àquela força externa que o humano limitado, não tem controle algum. Assim livram-se do medo do inexplicável, envolvendo-o com a fé em Deus. Por isso a frase: “Coincidências não existem”, conferindo ao caminho predeterminado por Ele. As coincidências são negadas pela maioria. Tanto que os sorteios numéricos de loterias que coincidentemente pinçam os mesmo números do seu bilhete e de uma hora para outra você se vê milionário, é tido como sorte e não coincidência matemática. Já vi um ladrão do dinheiro público, usar o destino para esconder suas ações inescrupulosas. Tentando justificar sua fortuna injustificável, o ex-deputado-federal de modesto nome João Deus, disse na maior cara de pau: “Deus me ajudou e eu ganhei 50 vezes na loteria”. Cincoenta vezes de sorte para um único homem. Coincidência matemática fantástica, sorte abençoada ou manipulação criminosa nos resultados da loteria? Nestes anos de observação despretensiosa entre a coincidência e o destino risquei do meu caderno aquele velho ditado, que tenta expurgar a coincidência do mal, afirmando que “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Fiz isso depois que vi pela tevê, que em São Paulo, um raio matou uma pessoa num dia e no outro, outra, a pouquíssimos metros do mesmo local da primeira tragédia. Mas tem uma coincidência que me abala há alguns anos. Tento esquecê-la, mas virão porque não me livrarei dela jamais. Hoje dia 23 de novembro, seria aniversário de meu pai. Ele faria 100 anos se em 19 de outubro de 1984 não tivesse partido. O que me intriga é que se meu pai comemoraria hoje o dia de seu centenário, minha mãe, nascida em sete de setembro de 1921, completa hoje 24 anos de sua morte. Ela morreu no dia 22 de novembro de 1986 depois de ter vivido com seu marido por quase 50 anos. Quando isso aconteceu pensei em quem teria escolhido estas datas para essas duas pessoas? A gente tem um calendário de 365 dias para as coisas acontecerem, mas com aquelas duas pessoas as coincidências de datas deram o toque final de suas histórias terrenas. Histórias atribuladas e de muita luta contra a dureza social que enfrentaram, criando seus nove filhos, sendo eu a última da ninhada. No momento do seu enterro, na frente do tumulo do meu pai, fechei os olhos e imaginei minha mãe chegando com um bolo e uma garrafa de um bom vinho nas mãos, já que eles também não eram de ferro. Ele a recebeu com um abraço carinhoso e juntos comemoraram o reencontro e o níver do seu Chiquinho. Partiram o bolo, brindaram e se divertiram muito como quando se trombaram e se apaixonaram.Horas depois, encanto do reencontro já acomodado, como todo casal que se preze, os dois começaram a se estranhar. Como toda mulher que se preze, ela já começara a reclamar da bagunça que estava por lá. Ele fazendo cara de paisagem como todo bom machão que se preze, tentou justificar: “Ah, Mariquinha não reclama não. Você demorou quatro anos para chegar e eu fielmente te esperei!”. Ela, desconfiada como toda boa mulher que se preze, optou pelo silêncio, olhando-o de soslaio: “Ah, esperou é! Sei, sei”, prometendo ficar de olhos bem abertos diante da confissão nada crível do marido comparada ao seu passado ainda muito bem vivo e fresco em sua memória. Pensando assim fica mais fácil enfrentar a saudade que tenho dos dois e as lágrimas descem menos pesadas. Assim, enfrento sem dor o caminho para a única certeza que tenho na nesta vida de um mundão de coincidências e destinos: a morte! Márcia de Oliveira Leitora e amante do livro As Certezas das Dúvidas, de Paulo Francis
Escrito por Márcia às 16h08
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Nosso pequeno Woodstock (À minha amiga Vanessa, com carinho e amizade, pelo aniversário em 19/10) Um dia daqueles infernais, em janeiro de 2000, cheguei em casa chorando. Na verdade, não era bem uma casa. Era um casarão antigo instalado bem no centro de Marília e divido em quatro apartamentos. Num deles morava a Vanessa. Mas voltando ao meu choro, foi neste dia de muitas lágrimas que nossa amizade se fortaleceu. Ela me atendeu em seu AP e junto com outras colegas tentaram me acalmar, mas eu só fazia chorar. Eu havia pedido demissão depois de ter brigado com meu ex-chefe editor dentro da redação do jornal onde há anos eu trabalhava. Amava o jornalismo, mas questionava no que ele havia se transformado nas mãos de diretores e editores que ignoram a verdade para faturar dinheiro, dinheiro e poder. E então, provavelmente em meio a uma TPM, veio a explosão e eu cansada de mentir, resolvi mandar tudo para o alto. Foi uma boa coisa porque daí, com tempo sobrando me entreguei a uma de minhas outras paixões: o artesanato, e pude refinar a convivência com a Van, uma mulher linda, perspicaz e que não desistia de tentar ser forte. Van tornou-se minha companheira de arte no meu pequeno ateliê. Na época eu estava obcecada por miniaturas feitas em pedras que encontrava pela rua. Eu criava cenas com figuras de meio centímetro sobre elas e eu as amava. E a Van as pintava. Acabamos criando uns colares de flores. Trabalhávamos com epóxi e fazíamos uma plaquinha onde eu modelava as flores pintadas pela Van. Não demorou nada para que começássemos a vender as peças e até fizemos uma boa graninha que tinham destino certo: nossas deliciosas cervejas que regavam nossas tardes de tentativa de artistas. Foram horas maravilhosas de conversas coloridas pelas tintas embaladas pelo CD da Janis Joplin que ouvimos até a exaustão. As conversas iam de assuntos políticos às desavenças com os namorados. Esse cenário de alegria e criatividade nos acompanhou até junho, quando decidi me mudar para São Paulo, numa experiência curta já que em dezembro eu voltaria para Marília e trabalhar novamente no jornalismo como assessora de imprensa de um vereador. Quando voltei a Van havia se mudado para outro Estado. Perdemos o contato. Em 2009, já favorecidas pela tecnologia mágica da internet, reencontro a Van, casada com o Mário e mãe da Alice e Arthur. Desde então, sempre conversamos por aqui. Continuamos as mesmas pessoas, acrescidas de muitas e muitas experiências vividas nestes anos que se passaram. E como é bom trombar amigos assim: que conservam a essência de ser humano e honesto. Aqui na net, trocamos nossas idéias e desabafos. Muitas vezes entro apenas para reclamar e a Van me lê solidariamente e vice e versa. Que bom Van, saber que posso contar com uma amiga que continua a me confortar como naquele dia de muito choro e tristeza. Parabéns, amiga por seu aniversário. E que sua nova idade seja marcada pela alegria, harmonia, saúde e paz. Somando tudo isso, acredito que temos a felicidade. Beijos e um dia nos encontraremos pessoalmente de novo para cantarmos Cry Baby, Mabe e outras canções do nosso pequeno Woodstock que vivemos no início desta década no casarão da São Luís. Márcia de Oliveira 18/10/2010
Escrito por Márcia às 10h47
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O erectus, o sapiens e a África
O poema abaixo nasceu depois da queda do muro de Berlim, em 1990. Primeiro chamei-o de Plenitude, depois de Globalização e hoje o demonio de África, em homenagem a este continente que amo e que deu origem a esta coisa que somos: humanos. E como humana, sei que são poucas coisas que nos diferenciam de outros animais, entre elas, a arte, a capacidade de criar e recriar. Aqui entra minha paixão pelo futebol. Adoro esta arte que busca controlar a bola com os pés. Se com as mãos é dificil, imagine com a extremidade mais maluca que temos e que nos mantem em pé, eretos. Aliás, foram eles que originaram a aproximadamente 1,8 milhões de anos atrás o tal do "homo herectus", antecessor do que somos hoje o "homo sapiens", apesar de muitos da espécie agirem como "homem demens", como já disse um cientista. Nascemos África e a partir de hoje seremos todos, todos, indistintamente africanos. Eis o poema: O sobrenome dos homens deveria ser Universal, Sem linhagem, sem laços, e traços. Assim, quando moresse um rico benemérito, Sr. dr. Fulano de Tal Universal, todos operários, analfabetos, ladrões (institucionalizados ou não), as crianças, as mulheres, os pretos e os brancos, os famintos e os saciados, enfim, todos da família Universal, seriam herdeiros da riqueza do Sr.dr.Fulano de Tal Universal. Com certeza, chegaria um tempo em que a humanidade seria pura harmonia, sem violência, só na inteligência em amor igual e fraternal. E quando morresse de morte natural, um outro "Fulano de Tal Universal", não haveria mais herança a ser distribuída, nem herdeiros ... Só homens... Universalmente humanos e verdadeiros!
Escrito por Márcia às 14h55
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O recado de São Paulo
Escrevi o texto abaixo, no início do ano, quando São Paulo enfrentou mais de 50 dias de chuvas. Foi publicado num jonral de Marília e num site dos trabalhadores da área da Saúde. Depois de ontem, mais um dia de muita água na Capital, ei-lo por aqui: São Paulo começou a ficar desesperado com a aguaceira. Indignado com tanta desgraça e lama foi falar com São Pedro que de longe lhe acenou e continuou a orientar centenas de anjos que circulavam pelo DAEC (Departamento das Águas e Esgoto do Céu). Afinal, pensava Paulo, não trabalhamos juntos para edificarmos o Cristianismo e agora vermos alagamentos destruindo vidas inocentes e tudo o mais. Com tantos afazeres, os dois raramente se encontravam além das reuniões de praxe dos santos para discutir o condomínio celestial, único a seguir regiamente o estatuto da única Justiça crível e confiável para muitos, exceto para os céticos, a Justiça Divina. Mas, Pedro , como guardião das chuvas, já esperava pela visita de Paulo e já havia preparado suas justificativas, que na verdade, nem eram justificativas e sim uma sincera e sofrida autocrítica onde assumia que havia perdido o controle da situação. E silenciosamente fez um sinal para Paulo e juntos caminharam até o RHCUT (Registros Históricos do Crescimento Urbano da Terra). Paulo sentou-se ao lado de Pedro que logo solicitou ao anjo bibliotecário os milhares de pergaminhos com a da vida do município São Paulo. Sem querer ser entrão, mas sendo, o anjo bibliotecário soprou no ouvido de São Pedro que tudo já estava registrado no Google Sensorial. São Pedro, ainda resistente as novas tecnologias, meio a contragosto, fez um sim com a cabeça. O anjo então ordenou que Paulo fechasse os olhos e roçou a face do santo que começou a receber imagens e sons sobre o desenvolvimento de São Paulo, desde 25 de janeiro de 1554, num lugar chamado Pátio do Colégio. Pedro não tirava os olhos do rosto lívido de Paulo, por onde lágrimas começaram a rolar. Minutos depois, o anjo enxugou as lágrimas de Paulo que abriu o olhos disse a Pedro: “Desculpe, na correria do dia-a-dia, especialmente no futebol, eu havia me esquecido do quanto os homens públicos maltrataram esta cidade, que ao longo de toda sua história acolheu silenciosamente quem nela quisesse vir concretizar seus sonhos de riqueza ou de simples sobrevivência. São Paulo hoje tem mais de 11 milhões de habitantes e milhares estão sofrendo as conseqüência dos homens que negligenciam o valor do planejamento urbano. O dinheiro, apenas o dinheiro foi e é o que sempre o que importou. Raríssimos os administradores honestos que passaram por lá e se preocuparam de fato em prevenir o que agora está acontecendo”. Pedro tentou aliviar a imensa tristeza de Paulo e lembrou que toda corrupção tem seu preço. “E este preço torna-se mais caro quando somado à falta de educação social de um povo que joga lixo nas ruas e terrenos baldios; ocupa e vende casas em áreas de riscos; paga propina para fiscais corruptos fazerem vistas grossas as irregularidades.... E isso sem falar na conseqüência do aquecimento global que nada mais é que a priorização dos governos mundiais desenvolvimento econômico sem se preocupar com a humanização dos seres ditos humanos”. “Então, caro irmão, não espere que somente com meus dons divinos eu possa controlar toda esta água que desaba sobre São Paulo que era da garoa e agora é também das tempestades”.
Paulo se desculpou mais uma vez com Pedro e completou: “Que tudo isso sirva de exemplo aos administradores de outras cidades. Que estes ignorantes políticos descubram o valor da engenharia urbana que vai cuidar de prevenir os problemas da poluição das águas, dos solos e do ar; da escassez de recursos hídricos; das enchentes; das deficiências de transporte coletivo e dos problemas de tráfego; carências de infra-estrutura urbana, de habitações , do parcelamento inadequado do solo. Mas desconfio que nesta ignorância nem nós que somos santos poderemos interferir. Só por Deus!”, concluiu Paulo sendo aplaudido por São Pedro.
Escrito por Márcia às 18h07
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Trombone por Trombone
Não que se preparasse sempre para quando fevereiro chegar. Mas o fato era que tocava trombone nas bandas carnavalescas que tanto animaram as festas de Momo dos anos 30, 40, 50. O carnaval acontecia na rua e era regado a muita chachaça, lança perfume e jardineiras. Formavam os chamados corsos, desfilando em carros enfeitados com serpentinas e mulheres vestidas rsrs com suas fantasias e muito bonitas. Foi assim que Chiquinho conheceu Maria e se apaixonaram. Dois anos depois estavam casados. No primeiro canarval pós-casamento o pau comeu solto. Ele insistia em continuar na banda e ela queria ir junto, Mas como, casada e com a primeira de suas totais nove barrigas. Jamais! Nos carnavais seguintes as brigas foram ficando feias. O que mais irritava Maria era a disposição de Chiquinho. Além de trabalhar como chefe de trem de cargas na Sorocabana, gastava a energia que sobrava nos momentos de folga, na farra do carnaval sempre acompanhado de seu inseparável trombone. Um dia, surpreendemente, sem que ninguém esperasse, Chiquinho vendeu o trombone. Maria pensou que fosse sosssegar. Para ela, o trombone que um dia o atraíra com aquele músico elegante e bonitão, era a própria encarnação do diabo. Era portanto o rersponsável pela frqueza do maridão que não conseguia resistir a folia com belas mulheres e, logicamente, muita chachça. Muitos carnavais se passaram e como bom saudosista, Chiquinho só lembrava dos momentos felizes que marcaram sua atribulada juventude carnavalesca, mas se esquecendo definitivamente do trombone. A história do trombone soava misteriosa para mim. Conheci-o reluzente através de álbum de fotografia da família. E realmente, ele, Chiquinho e o carnaval pareciam ter sido muito diferentes cercado por alegria espontânea que reinava no Brasil carente, mas ainda não tão miserável daquelas décadas getulistas. Num dia de carnaval, num dos momentos de descontração de uma almoço familiar, resolvi avançar e perguntar o recato do casal já na terceira idade. "Mas porque você vendeu o trombone pai?". Os segundos se congelaram e senti muitos pares de olhos me recriminavando por ter entrado num assunto tão delicado e que cheirava a sexo fora do casamento. Criativo como sempre e bem humorado naquele dia, Chiquinho respondeu entre risos: "Sua mãe chegou e disse: ou eu o o trombone. Trombone por trombone resolvi ficar com ela mesmo". As gargalhas ressoaram. A cara da minha mãe foi de espanto, desconcerto e chateação.Sua reação foi de quem resolvera aceitar a brincadeira para não dar sequencia ao assunto que queria esquecer. Tirando a tirada genial de meu pai sobre um assunto que tanto incomodava minha mãe, o episódio serviu para todos que acompanharam aquela conversa, percebecem uma coisa que nem sempre foi óbvia nos anos que estiveram casados: Chiquinho sempre amou Maria, mais do que seu trombone que tanto enfernizou a vida de Maria que tanto amou Chiquinho. É isso: carnavais podem produzir amores até a morte como foi este, dos mes pais, que acabei de lhes contar.
Escrito por Márcia às 11h45
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Um Bilhete
"Poucas pessoas suportam a verdade. Ainda mais quando estão ligadas a um passado que doentiamente quem muda quer esquecer. Por isso idealistas são chamados de radicais. Eles não mudam na essência. Idealistas sabem que o presente se dá num lampejo de segundo, sabem que assim que seus olhos terminarem de ler esta frase, já se é passado. Logo, procuram viver em consonância total com o passado, acrescentando vivências do presente em busca de futuro livre das cansativas repetições de erros que vimos no chamado futuro.
Idealistas buscam a consciência nua e crua da razão. Sofrem quando se envelhecem idealistas porque assistem a ficar pelos caminhos pedaços de pessoas que no passado também foram seu eu. Por isso, é comum a gente atribuir o idealismo à juventude. São muitos os jovens que, no simples ato de viver, abandonam os ideais de uma vida mais justa, igualitária, fraterna para mim e para o outro. E foi pensando nisso que escrevi este poema que segue abaixo:
Passados apagados, Dragados pelo tempo; Pela traição dos ideais convertidos em ouro Para o bem de "seu" brasil, que cabe na sua fina carteira de couro Mont Blanc pessoal, intransferível e totalmente corruptível".
PS: Recebi este extenso bilhete da minha amiga viciada em Prozac. Ela continua internada numa clínica de saúde mental ou emocional, por vontade própria e por alegar total incapacidade de convivência com o mundo exterior.
Escrito por Márcia às 10h03
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A minha amiga..eu 51 e ela (acho) que 22...rsrsrsr
Thais linda...to na maior sinuca de bico neste final de ano. Contornei o Natal e passei com a família. E agora, entrei pelo cano. Eu os amo, são ótimos, me deram força.... Eu preciso deles. São minha família, Mas, agora querem que eu passe na homília. (Segundo o dicionário da UOL "Prática religiosa sobre pontos dogmáticos. 2 Discurso aborrecido, que contém moral exagerada. Var: homília.) .....................................
(somos nove irmãos - todos vivos - e eu caçula com 50. Somos uma família de madeira forte e abençoada por Deus e bonita como a naturezabençadeus). Mas, fazem (ou faz, ou tanto me faz!), dois anos que não vejo a praia. E tô indo para Floripa... e ver o que faço comigo .... rsrsrs para continuar vivendo sem pirar! Ah, e pirar que eu sei que é me livrar, é viver regulando emoções e um pouquinho só, longe das convenções". ............. Eu gosto muito de vc, aliás de vc e do Lu. Vcs são massa, eu diria "despreconceituosos". Quero dizer, humanos, pq não julgam sem antes conhecer. Obrigada pela amizade. Amo vcs! bjbjbjsssss Márcia * O texto acima nasceu da reposta a este recadinho no "meu" orkut: ................................................. | Thaís | | BOraaaaaaaaaaaaaaa antes de acabar o ano temos q ir no karaoke neh aihaiuahuahaua bjao amor!!!! |
Escrito por Márcia às 23h14
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Para 2010 ... Um dia chegou no jornal um livro para divulgação. Era de poesias e editado com o apoio do antigo Banespa. Os poemas eram de um funcionário do Banco Cujo nome não me era recordo.Ele de Lins. Se alguém o conhecer, por favor, me de dicas de onde encontrá-lo porque simplesmente eu me apaixonei pelo livro que me acompanhou durante anos. Não sei como, ou até sei, mas quero esquecer, o livro sumiu da minha estante levando com ele os versos que eu sempre confiança. Um dos poemas chamava-se "No Ano que Vem". De todos que já li sobre o tema, aquele foi o que mais me tocou, o que mais me sensibilizou. Vou tentar lembrá-lo aqui Reforço, mas, trata-se apenas de uma tentativa. Na verdade, é apenas uma derivação
No ano que vem, vou mudar o cabelo, Vou fazer o fazer um regime, Colocar um bolero, Vou tentar ser sublime.
No ano que vem Vou guardar dinheiro Vou sair do vermelho, Vou gostar do Espelho E viajar.
No ano que vem Vou fazer um jardim, Vou plantar um jasmim Vou comer sem gorduras Evitar frituras, Vou cuidar de mim.
No ano que vem Vou reatar amizades Respeitar peculiaridades. Brigar menos, Mais Acarinhar E como deixar Excentricidades.
No ano que vem Vou estudar a distancia, Dar não Importância Ao que não posso mudar.
No ano que vem Vou visitar o dentista, Vou renovar E o sorriso Sorrir para não chorar.
No ano que vem, Vou pintar novos quadros, Vou limpar o porão, Esquecer o passado, Beijar o e presente Abraçar o futuro.
No ano que vem, Deixare i de Ser louca, Tomarei menos álcool, Tratarei das emoções Corações Picharei, esquecerei as corrupções.
No ano que vem, Cuidarei do meu nariz só.
No ano que vem, Como sempre, Esquecerei todas as promessas E vou querer apenas, Ser feliz!
Escrito por Márcia às 09h55
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Resistência
Quanto tempo de mim foi dor para os que não mereciam? Quantos jardins não fiz só para semear? Quanta paz me fiz para não guerrear? Quanto de fome saciei deixando de comer? Agora, surpreendo-me com o que já não me causo sem causa e se relega ao esquecimento. Mas quanto de mim sabe que os ideais nunca morrem, apenas dormem?
Escrito por Márcia às 18h26
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Meu pai e a lua
Meu pai estudou até o quarto ano do grupo. Era chefe de trem da Sorocabana e um homem que ralou muito para sustentar e criar seus nove filhos, dos quais sou a última. Em 1969, eu tinha 10 anos. Neste mesmo ano, em 20 de julho, o homem chegava à lua, numa briga de foice dos Estados Unidos, capitalista, com a União Soviética, comunista. O fato, tido como uma grande conquista da humanidade foi transmitido para o mundo, mas meu velho disse uma coisa que na época me pareceu simplesmente fruto de sua ignorância: “Isso foi gravado em algum terreno baldio. É claro que o homem não chegou lá. É tudo para enganar trouxas”. Eu, assim como os outros filhos que acompanharam esta declaração que seriam por ele repetidas centenas de vezes, já que este era o assunto do momento, ficávamos estarrecidos e até envergonhados. Afinal, meu pai negava o que o mundo comemorava. Lembro que na época eu viajei com uma irmã e seu namorado para São Paulo. Na estação, a banca de revista denunciava a festa midiática que foi a chamada conquista. Fotos da lua e dos astronautas da Apolo 11 estampavam todas revistas, jornais, gibis etc. Eu mesma ganhei um gibi do Topo Gigio, aquele ratinho de orelhas enormes que fez muito sucesso por aqui nos anos 60 e 70. Na história, o ratinho pira ao chegar à lua e descobrir que era feita de queijo. E ele deitou e rolou abocanhando pedaços do satélite. Bem, a efeméride americana foi explorada ao extremo pelos EUA que assim deram um basta na questão vencendo os soviéticos nesta batalha. Apesar da guerra fria entre os dois países continuar por muitos anos pode-se considerar que este passo sideral foi marcante para a política mundial. Acontece que com o passar os anos, meu respeito pelo meu velho pai, cresceu em muito. Ele se despediu da Terra em 1984. Não acompanhou o que eu estou presenciando já há uns 15 anos: o crescimento da chamada Teoria da Conspiração, aquela que também afirma que o homem na chegou à lua. Seus adeptos entendem que os EUA plantaram esta situação para dar um chega para lá nos comunistas e se firmarem tecnologicamente como uma força hegemônica e inatingível. A conduta da NASA, que diz ter apagado as fitas com as gravações da saga, só contribuíram e continuam contribuindo para que a teoria avance. Depois de 1969, os americanos nunca voltaram mais para a lua e ainda amargou algumas derrotadas no programa espacial como a explosão da Challenger em 1986. Com tudo isso só resta eu reverenciar meu digníssimo pai com estas palavras pedir-lhe desculpas por ter sentido vergonha de suas desconfianças sobre a conquista. E só mais uma coisa: a morte do cantor Michael Jackson, que desenvolvia uma dança chamada moonwalk que imita os passos dos astronautas da Apolo 11 na lua, é mais um fato para a gente avaliar bem as conquistas de ponta americana. Não consigo entender o porquê da demora nos resultados da perícia que poderia por fim as especulações em torno da morte do cantor. Cadê os peritos da série CSI que desvendam crimes e mistérios sobre as mortes em minutos ou em apenas alguns dias? Será que tudo por lá ficção como um dia imaginou meu pai?
Escrito por Márcia às 12h36
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Artigo publicado no Jornal da Manhã de Marília, em julho.
Médicos
De vez em quando somos surpreendidos com informações que valem à pena. Uma delas é recente e acontece bem aqui em Marília: a fiscalização do Ministério Público Federal (MPF), junto aos 148 médicos contratados pelo Estado, Município ou União, via SUS (Sistema Único de Saúde) e que flagrou 51 deles, burlando a lei, deixando de atender a população para trabalharem em suas clínicas particulares. O triste é saber que este problema não nasceu ontem e nem acontece só em Marília. Esta atitude dos médicos acaba comprovando o que eu sempre afirmo para amigos: a educação primorosa não garante a formação de um caráter bom e de um profissional que tenha valores éticos. Ao contrário do que muitos pensam, e isso vale para qualquer profissão, educação não é apenas o domínio das letras e das faculdades intelectuais funcionando amplamente. Educação é ter a noção do outro, da sociedade e não apenas de seu patrimônio e de sua conta bancária. E isso especialmente se o profissional estiver ligado de alguma forma ao dinheiro público. E estes 51 médicos são pagos com o dinheiro do povo que sequer tem como comprar boas refeições e remédios. A complacência e a incompetência dos órgãos públicos que contrataram estes profissionais também devem que ser consideradas nestes crimes. Afinal, por que fazem vistas grossas com profissionais que não cumprem seus deveres? Ora, não estão satisfeitos com salários ou atividades, que sejam demitidos. Mas o corporativismo, o puxa-saquismo político, favoritismo etc, acabam vencendo e quem paga por todos os errados e erros, mais uma vez é a população pobre e necessitada. São poucos, pouquíssimos os servidores públicos (e políticos também), que realmente merecem estar onde estão, recebendo dinheiro público, dinheiro do povo. E isso em todas as esferas e todos órgãos. Mas de uma coisa eu tenho certeza: é com a maior satisfação que sei que uma ínfima parte da minha contribuição aos impostos, é destinada a servidores competentes e dignos como o procurador Jefferson Dias. As denúncias da população sobre o atendimento nas UBSs foram registradas durante o programa Mutirão da Cidadania, realizado em parceria com a ONG Matra (Marília Transparente) e a Procuradoria da República. Quem bom saber que ainda podemos acreditar! Márcia de Oliveira jornalista
Escrito por Márcia às 14h00
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OS VERDADEIROS AMIGOS SÃO AQUELES QUE NOS APOIAM NA HORA EM QUE MAIS PRECISAMOS COM O QUE PRECISAMOS: SOU FELIZ PORQUE TIVE ALGUNS; FUI DE ALGUNS E ME DECEPCIONEI COM OUTROS. SERÁ QUE TB DECEPCIONEI ALGUÉM???? PQ É TÃO FÁCIL SABER O QUE NOS FAZEM E TÃO DIFÍCIL SABER O QUE FIZEMOS?
Escrito por Márcia às 12h57
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Quando ainda trabalhava em jornal, nos anos 90, escrevi numa coluna minha chamada "Fio da Navalha", que tínhamos necessidade de criar a "Biblioteca Nacional dos Dossiês da Corrupção". Na época, não paravam de surgir os calhamaços de todos os rabicos dos politicos ladõres. Os coumentos eram levantados sobre tudo por dois exponentes raposas, sempre envolvidos em denuncias de corrupção e incrivelmente nunca presos..rsrs: Paulo Salim Maluf e Antonio CArlos Magalhães. Os dois, eu dizia, eram livre docentes na Universidade da Arte de Roubar Dinheiro Público. Tempos depois li um jornalista dizer que suspeitava funcionar nos porões do Congresso, uma escola que ensinava a arte da corrupção. Agora descubro que o jornal Diáio do Comércio lançou um site chamado Museu da Corrupção. Fico extremamente feliz. Há gente relacionando a falta de memória com a corrupção deslavada que vivemos neste país se líderes de consistencia semelhantes à pastéis de vento. Eis o link: http://www.dcomercio.com.br/especiais/2009/museu/home.htm
Escrito por Márcia às 17h02
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